ACEB NA MÍDIA

O panetone de antigamente virou história

23/12/2009

A fruta cristalizada já era: agora a moda é trufa, limão, maracujá e goiaba

A todo vapor. Na padaria Trigopane, em BH, panetone tradicional divide o espaço com as novidades
 
Natal. Mesmo com preços 5% mais altos, faturamento dessa indústria deve crescer 30% este ano

Foi-se o tempo em que os panetones eram feitos só com frutas cristalizadas. Generosas gotas de chocolate, trufas, doce de leite, morango e goiabada fazem parte dos recheios de lançamentos que prometem engordar o faturamento dessa indústria em até 30%. A estimativa é da Associação Comercial Empresarial do Brasil (ACEB), que destaca que nem mesmo o aumento médio de 5% em relação aos preços do ano passado impede o crescimento das vendas.

"Nem todas as regiões do Brasil têm tradição de comer panetone, por isso, a variedade de sabores é uma boa estratégia para atrair mais clientes", afirma o gerente de marketing da área de biscoitos e panificados da Aymoré, Rodrigo Peçanha. Ele acredita que produtos com chocolates já respondem por quase metade das vendas.

A empresa está há apenas quatro anos no ramo dos panetones, mas já percebeu a importância da diversificação. Lançou produtos de chocolate com doce de leite, chocolate com morango, frutas com amêndoas e sem frutas. "Minas Gerais, por exemplo, não tem muita cultura, mas tem aceitado muito bem nossa marca e, se for preciso, vamos lançar produtos com características regionais", destaca.

A situação econômica e o crescimento da classe média também colocaram um temperinho mais doce na venda de panetones. "Todo o volume produzido foi comercializado e esperamos um incremento de 30% em relação ao Natal de 2008".

Tem, mas acabou. A Cacau Show investiu nos sabores de doce de leite, trufa tradicional, creme de avelã, trufa de maracujá e limão e gotas de chocolate. O sucesso foi tanto que os produtos já sumiram das lojas. "Encomendei o dobro do ano passado, mas a procura foi muito grande", diz o proprietário da loja do shopping Del Rey, Venício Amaral.

O de chocolate era a preferência da psicóloga Quezia Lins, mas ela teve que levar o de avelã - o último da prateleira. "Fui em três lojas e não tinha nenhum. Então, vou levar esse mesmo", disse. Apesar do banner na vitrine, com a foto do produto e a exclamação "Sim, ele existe", a prateleira vazia indicava o contrário. (Com Ana Paula Pedrosa)

Latas e decoração comestível fazem a diferença
Nem só de recheios caprichados vive a indústria do panetone. Para fisgar os consumidores, a criatividade ultrapassa o paladar e chega aos ídolos. Neste ano, a Nestlé apostou em Roberto Carlos e criou uma edição limitada para homenagear os 50 anos do rei. O consumidor leva para a casa uma lata decorada com ícones da carreira do artista.

Por meio da assessoria de imprensa, a Nestlé afirmou que aliar um produto de qualidade ao nome de um ícone da música brasileira é uma boa estratégia de marketing. Essa foi a primeira vez que Roberto Carlos autorizou o uso de sua imagem em um produto fora da indústria fonográfica. Além de frutas cristalizadas, a linha inclui as versões Prestígio, Moça, Alpino e Classic.

Já a padaria Trigopane, em Belo Horizonte, tem uma vela natalina feita com a massa do chocotone, coberta com chocolate branco, vendida no quilo (cada uma sai por cerca de R$ 6). De olho no cliente, a padaria "inventou" ainda um panetone trufado decorado com um Papai Noel comestível. (QA)


 

Valid XHTML 1.0 Transitional
Todos os direitos reservados - 2009 - ACEB