Página Inicial   

Editorial
O Boletim ACEB Notícias é feito para mantê-lo informado e atualizado.

Dia Mundial do Trabalho
Quais os critérios para selecionar um bom funcionário?

Diferencial no Mercado
Veja como as empresas podem conquistar e fidelizar os clientes.

Sustentabilidade
Saiba como as empresas podem proteger o meio ambiente.

Sugestões de Leitura
Livros que complementam seu conhecimento empresarial.

Dicas de Eventos
Saiba o que acontece este mês no ramo dos negócios.

 

Aquilo que se fala verdadeiramentenão é aquilo que se ouve

Por Katerina Volcov , sócia-diretora da Soma Agência de Comunicação Sustentável e professora voluntária da  Fundação CASA

A cada dia que passa, a preocupação com o meio ambiente e os efeitos das ações humanas sobre ele fazem mais sentido aos habitantes do planeta. Pelo menos assim, se propagam aos quatro ventos capas de revistas e jornais em prol do ecossistema e inúmeros eventos realizados sobre sustentabilidade. De uma maneira geral, são iniciativas que têm o intuito de divulgar informações e promover a discussão dos atores deste segmento sobre o que a sociedade como um todo pode fazer para melhorar as relações homem X planeta X economia.

Dentre tantas opções sobre o tema, a SOMA Agência escolheu e participou, na última semana de abril deste ano, do 2º. Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável, evento promovido pelo CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, juntamente com o World Business Council for Sustainable Development. Com dois dias e meio de duração, o evento se propôs a debater assuntos como geopolítica do desenvolvimento sustentável e do clima e a relação de empresas de diversos segmentos com a pobreza e o desenvolvimento sustentável, além de oficinas de aprofundamento.

O fato foi que, o que se diz nem sempre é tão justo-e-sábio-e-novo assim. O Congresso contou com figuras ilustres e pesquisadores de peso nas discussões de sustentabilidade, porém, os debates permaneceram superficiais, ou nem sequer chegaram a caracterizar “debates”! A palavra, tantas vezes proferida, não foi empiricamente utilizada. Apesar de uma organização impecável, saímos com sede. Sede de novidades, de novos pontos de vista e de ações efetivas.

Nos oito painéis, a maior parte do tempo foi utilizada para discorrer sobre as suposições particulares ou ações específicas de cada instituição participante. Talvez para os “novatos” no tema, as idéias tenham sido proveitosas, mas para quem está mais do que familiarizado com o assunto sustentabilidade, a discussão permaneceu sem grandes avanços.

No painel “empresas e o combate à pobreza”, por exemplo, por mais simpatia que a moderadora Samyra Crespo investisse, o que existiu foi somente uma exposição sobre o que cada um pensava e filosofava a respeito do tema. Apresentar invenções para o bem-estar do pobre não é, necessariamente, uma ação sustentável, simplesmente porque não foram discutidas suas reais necessidades.

Já o painel “geopolítica do clima” pôde contar com informações sobre energia limpa em contraposição a possíveis benefícios da energia nuclear. Nesse momento, quase fico feliz “enfim, haveria um debate”, afinal são situações bastante divergentes e que serão decisivas para o futuro brasileiro. O moderador, Marcelo Furtado, instigou os participantes da mesa a esclarecerem as questões e trocarem experiências, em busca de soluções. Mas, nem mesmo assim, conseguiu promover um real debate entre os próprios palestrantes.

Ao final do Congresso, tirando fatores como a falta tempo, ou até o mal aproveitamento dos temas, fica a pergunta: que caminhos empresas, setor público e ONGs devem seguir rumo ao desenvolvimento sustentável?

Nesse aspecto, seria importante lembrar que, para as empresas se manterem vivas no sistema capitalista pós-moderno*, a única medida que se tem a tomar é pensar no próximo, não em uma atitude cristã, mas em uma atitude de sobrevivência do próprio capital. O que o evento pareceu nos apresentar é que aquilo que se ouve, nem sempre é o que de fato se faz, muito menos é o que de fato se acredita. O marketing sustentável torna-se descartável à medida em que é notado... Penso se não seria bom ao Brasil se esforçar mais em fazer acontecer, para que empresas, organizações e governos promovam a real sustentabilidade. E que a comunicação ajude para que esses benefícios efetivamente sejam entendidos e que possam ser usufruídos por todos.

Que venham os próximos sustentáveis e vejamos se o debate e as ações de fato acontecem. É para isso que trabalhamos!

* para mais informações sobre o tema, sugiro a leitura “O mal-estar da pós-modernidade” do sociólogo polonês Zygmunt Bauman

 

WWW.ACEB.ORG.BR