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Onde está a sustentabilidade?

Por Ana Lúcia Berndt
Diariamente, os principais veículos da imprensa brasileira trazem, em algum lugar, a palavra “sustentabilidade” ou “desenvolvimento sustentável”. Os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental para a Mudança Climática) preocupam não apenas os chamados ambientalistas xiitas, mas também pessoas comuns que começam a sentir na pele os efeitos da mudança climática.
Empresas foram apontadas como o principal ator de transformação, após serem consideradas responsáveis por grande parte dos problemas que vivemos atualmente. E eles já demonstram o interesse em promover a sustentabilidade, como vemos em inúmeros estudos e notícias.
Mas, na prática, o que tem sido feito? Estudo do World Watsh Institut mostra que as emissões de carbono continuam aumentando, apesar de todos os avisos. Além disso, uma pesquisa do IBOPE, publicada neste mês, demonstrou que, embora exista nas empresas a intenção de se tornarem sustentáveis, estamos longe de vê-la se converter em comportamento.
Mais de 80% dos executivos entrevistados concordam que uma empresa sustentável deve preservar o meio ambiente, contribuir para o desenvolvimento econômico do Brasil, investir em ações sociais e buscar sucesso em longo prazo. Porém, a maioria dos participantes não traz essas preocupações para o âmbito estratégico da instituição. Segundo o levantamento, os investimentos ainda estão voltados, prioritariamente, à atualização tecnológica, à introdução de novos produtos e serviços, ampliação das capacidades atuais e treinamento de pessoal. “Apesar de estarem em últimos lugares, a responsabilidade social e a ambiental também aparecem na lista. Mas não como algo estratégico”, afirma Nelsom Marangoni, CEO do IBOPE Inteligência.
Ainda existe muita confusão no que diz respeito ao conceito de sustentabilidade. Durante anos, ao se falar em responsabilidade socioambiental no ambiente corporativo, pensava-se em filantropia e atuação baseada em situações de risco ambiental. Mas para que a idéia do “triple bottom line” se concretize, é imprescindível que os aspectos ambientais, sociais e econômicos caminhem com equilíbrio e façam parte das estratégias competitivas dos negócios.
Percebemos, na SOMA Agência, que muitas empresas passaram a inserir a palavra “sustentável” em sua comunicação, mas, ao perguntarmos sobre conceito e prática, ainda demonstram inconsistência em seu discurso. Não as culpamos por isso! Estamos em uma fase de transição entre um modelo voltado ao crescimento a qualquer custo e uma nova visão de mundo, baseada na qualidade de vida e preservação do planeta.
Ainda estamos longe de alcançar o cenário ideal, por isso, cabe a cada um de nós, incorporar a essência da sustentabilidade na nossa vida e no nosso trabalho, mudar hábitos e começar a enxergar o mundo com outros olhos, com uma visão mais abrangente e responsável. Somente assim conseguiremos transformar a nossa atuação estratégica e promover, realmente, um desenvolvimento sustentável.
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