Julho/2008
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Consciência ambiental gera lucro


Saiba como a reutilização do lixo tecnológico pode ser rentável e, ao mesmo tempo, contribuir com a preservação do meio ambiente

O acelerado avanço da tecnologia faz com que as pessoas sintam a necessidade de descartar determinados produtos em busca de modelos mais sofisticados e que ofereçam novos recursos audiovisuais. Esta prática está tornando-se bastante comum em relação aos eletroeletrônicos, como celulares, MP4, monitores de computador etc.

O que muitas pessoas não sabem é que, ao se desfazer de tais produtos, elas estão contribuindo com a agressão ao meio ambiente, pois a maioria deles é produzida com substâncias tóxicas. São os chamados Resíduos de Aparelhos Elétricos e Eletrônicos (RAEE). As baterias de celular, os vidros de monitor e as lâmpadas fluorescentes contêm cádmio, chumbo e mercúrio, respectivamente. Estes são três dos inúmeros exemplos de objetos que, quando descartados, podem causar sérios danos, inclusive, à saúde da população.

Alguns empreendedores estão enxergando neste comportamento uma oportunidade de fazer negócio. Para Irineu de Ascenção, diretor de relações institucionais da ACEB, ao pensar em um empreendimento que pode dar certo, é necessário analisar todos os números relacionados a ele. “Cerca de 10 milhões de computadores foram vendidos no ano passado e existem mais de 124 milhões de aparelhos no Brasil. Em algum momento eles serão substituídos por outros mais sofisticados. E foi na necessidade de reutilizar este material descartado que alguns empreendedores resolveram investir”, afirma o executivo.

Apesar de o lucro ser praticamente certo, ainda há poucas empresas que decidiram investir neste segmento. Um exemplo é a Ativa Reciclagem, situada em Guarulhos, que recicla centenas de monitores de computador por mês. O vidro do aparelho é cortado, triturado e negociado com indústrias de pisos cerâmicos. Outro exemplo é a Suzaquim, que processa 30 toneladas de pilhas e baterias por mês. As substâncias são transformadas em material usado na fabricação de produtos refratários.

Para o diretor da ACEB, a partir do momento em que houver conscientização de que este segmento tende a crescer e pode ser muito importante na contribuição com a preservação do meio ambiente, outros empreendedores decidirão investir nele. “Não há leis que punam quem faz o descarte desses materiais em locais inapropriados. Além disso, não há quem conscientize a população da importância da reciclagem desse tipo de material, que é positiva para o empreendedor, para a população e para o meio ambiente”, finaliza Ascenção.